
Será um aumento semanal histórico no preço do gasóleo a que vamos assistir a partir de amanhã, 9 de março: 23 cêntimos por litro, que será ligeiramente atenuado pelo «desconto fiscal» do Governo sobre o ISP.
De acordo com o comunicado do Ministério das Finanças, o desconto extraordinário fiscal sobre o ISP do gasóleo será de 3,55 cêntimos por litro, fazendo com que o aumento de preço previsto se fixe nos 19 cêntimos por litro. Já no caso da gasolina simples, como o aumento não ultrapassou os 10 cêntimos por litro — condição imposta pelo governo para ser abrangido pelo desconto —, esta não será alvo de qualquer desconto.
A confirmarem-se estes valores, o preço médio do gasóleo simples deverá atingir assim os 1,824 €/l, ficando acima do preço da gasolina, cujo preço médio deverá subir para cerca de 1,78 €/l.
Depois de se conhecerem as primeiras previsões de aumento, na quinta-feira passada (5 de março), que se assiste a uma corrida às bombas. Por todo o país a afluência tem sido muito superior ao habitual e já há notícias de ruptura em alguns postos de combustível este fim de semana.
O conflito no Irão e o consequente encerramento do Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto de todo o petróleo consumido do mundo —, justifica em grande parte o aumento generalizado do preço dos combustíveis.
O Brent, valor de referência para a Europa, encerrou a semana com uma cotação perto dos 93 dólares (desde setembro de 2023 que não estava tão alto), quando antes do conflito era transacionado por 72 dólares.
Só que o preço do gasóleo está a crescer muito mais depressa que o preço do crude. Por detrás desse aumento estão os stocks europeus reduzidos e a enorme dependência europeia do Médio Oriente no fornecimento de gasóleo refinado. A Europa não tem capacidade instalada suficiente para fazer o seu próprio gasóleo. Saiba mais detalhes:
O resultado desta dependência, afetada pelo bloqueio da principal via de fornecimento, é o aumento abrupto que se verifica no preço do gasóleo. Não é só em Portugal. O mesmo verifica-se em todos os países europeus. Enquanto o bloqueio durar, prevê-se que o preço do petróleo e dos combustíveis continue a subir ou se mantenha em patamares elevados.
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