
O preço dos combustíveis vai voltar a subir significativamente para a semana, sendo a terceira semana consecutiva de aumentos abruptos que tiveram início com os ataques de Israel e EUA ao Irão. E será novamente o gasóleo o combustível que irá sofrer o aumento mais significativo.
As previsões do setor apontam para uma subida na esta semana (23 de março) de 16 cêntimos por litro no preço do gasóleo simples e 9 cêntimos por litro no preço da gasolina simples.
A confirmarem-se estes valores, o preço médio do gasóleo simples deverá atingir os 2,087 €/l, já o preço da gasolina simples deverá subir para cerca de 1,947 €/l.
Fazendo contas (e sem contar com estes novos aumentos) desde o início do conflito no Irão, o preço do gasóleo simples já subiu 28 cêntimos por litro e o da gasolina 14,4 cêntimos por litro. Esta semana, nas principais gasolineiras, o preço do gasóleo simples ultrapassou os dois euros por litro.
O cálculo do preço dos combustíveis tem por base os valores divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Neste caso, os referentes à passada quinta-feira, 19 de março. Os valores apresentados pela DGEG já incluem os descontos praticados pelas gasolineiras, bem como as medidas do Governo atualmente em vigor.
Ainda assim, importa notar que estes não são os preços que vai encontrar nos postos de abastecimento. São apenas valores médios e indicativos. Os revendedores mantêm a liberdade de praticar os preços de acordo com a sua estratégia.
Depois destas subidas históricas no preço dos combustíveis, o Governo reforçou o desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos).
O início desta semana começou com um desconto total de 6,1 cêntimos por litro no caso do gasóleo simples e 3,3 cêntimos por litro na gasolina simples. O desconto poderá ser reforçado na próxima semana. O anúncio do valor desse desconto deverá ser anunciado durante o dia de hoje, pelo Governo.
Esta redução extraordinária no valor do ISP acumula com a já existente desde 2022, para atenuar o impacto da subida dos combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Este mecanismo reduziu parcialmente o imposto aplicado à gasolina e ao gasóleo e tem sido ajustado progressivamente, acompanhando a evolução dos preços. O objetivo final, também por pressão de Bruxelas, é a eliminação do «desconto».
No contexto atual o governo português já informou a Comissão Europeia da introdução deste desconto extraordinário e temporário, acreditando que não haverá qualquer objeção. O próprio bloco europeu já admitiu querer introduzir medidas que mitiguem o impacto do aumento do custo da energia e dos combustíveis.
O aumento no preço dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente ligado à escalada da tensão no Médio Oriente, que resultou no encerramento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico.
O impacto continua a refletir-se nos mercados: o preço do Brent, referência para a Europa, subiu de cerca de 72 dólares por barril antes da ofensiva para mais de 110-113 dólares, à data de publicação deste artigo.
Notícias Relacionadas