Diesel ainda são os usados mais vendidos mas perdem terreno

1 day, 6 hours atrás - 23 Agosto 2026, razaoautomovel
Diesel ainda são os usados mais vendidos mas perdem terreno
Quase um em cada três usados vendidos ainda é Diesel, mas a sua quota caiu mais de 14 pontos em apenas dois anos.

Pode parecer estranho depois de tantos anos a falar do declínio do Diesel, mas a verdade é esta: continua a ser a motorização mais vendida no mercado de usados em Portugal.

Em julho, 33,31% dos automóveis usados vendidos eram Diesel, segundo o mais recente Market Watch da INDICATA, plataforma de análise do mercado de usados da Autorola.

A gasolina surge logo depois, com 29,25%, seguida pelos elétricos, já com 16,35%. Os híbridos plug-in representam 9,63% das vendas, os mild hybrid 8,23% e os híbridos convencionais 3,23%. O Diesel continua à frente, mas está cada vez menos à frente.

Diesel caiu quase 30% em dois anos

Em julho de 2024, praticamente metade dos usados vendidos em Portugal tinha motor Diesel: 47,48%. Dois anos depois, essa quota caiu para 33,31%. É uma queda de 29,8%.

A gasolina também perdeu terreno, de 34,73% para 29,25%, enquanto as motorizações eletrificadas ganharam espaço. Os elétricos, por exemplo, mais do que duplicaram a sua quota no mesmo período.

Na leitura da INDICATA, Portugal está a afastar-se gradualmente de um mercado de usados organizado em torno do gasóleo. O Diesel não está a desaparecer — continua a ter uma base de clientes importante, sobretudo em utilizações de elevada quilometragem —, mas já não é a tecnologia que está a fazer crescer o mercado.

A oferta também está a ajustar-se mais lentamente. Os Diesel representam 33,31% das vendas, mas ainda correspondem a 35,18% do stock disponível.

Vendem mais devagar mas os preços resistem

Essa diferença também se percebe no tempo necessário para vender cada automóvel. A INDICATA usa o Market Days Supply (MDS), indicador que estima durante quantos dias o stock disponível seria suficiente ao atual ritmo de vendas.

No Diesel são atualmente cerca de 83 dias, depois de este valor ter chegado aos 113 dias durante a primavera. Houve uma recuperação clara, mas continuam a vender-se mais devagar do que os automóveis a gasolina, que rondam os 75 dias, e sobretudo do que os elétricos, com apenas 55 dias.

Apesar da perda de quota e da rotação mais lenta, os preços dos Diesel têm resistido. O índice de preços de retalho da INDICATA está nos 101,32 pontos, tomando janeiro de 2020 como referência de 100. Ou seja, os valores estão praticamente ao nível de há seis anos.

É um contraste grande com os elétricos, cujo índice caiu para 77,30 pontos, e com os híbridos plug-in, nos 80,88 pontos. Já a gasolina continua particularmente valorizada, perto dos 111 pontos.

Para a INDICATA, esta resistência mostra que continua a existir procura por Diesel quando a utilização o justifica. Mas também há novos fatores a pesar na decisão. Entre eles está a subida do preço dos combustíveis em 2026, particularmente acentuada no gasóleo, ao mesmo tempo que cresce a oferta de alternativas eletrificadas.

Diesel continua líder. Mas por quanto tempo?

Os dados não apontam para um desaparecimento rápido do Diesel. Continua a liderar as vendas, representa mais de um terço do stock e os seus preços têm resistido muito melhor do que os das motorizações plug-in.

Mas a tendência dos últimos dois anos é difícil de ignorar. A quota caiu mais de 14 pontos percentuais, o stock está proporcionalmente acima das vendas e a rotação é mais lenta do que na gasolina e nos elétricos.

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