Uma tartaruga, um surfista aflito e até o Papa atraíram milhares a Laundos

12 Agosto 2019 - Jornal de Notícias

Uma tartaruga, um surfista aflito e até o Papa atraíram milhares a Laundos

No Monte de S. Félix, em Laundos, Póvoa de Varzim, a 11.ª Grande Descida de Carros Artesanais é uma espécie de carnaval antecipado, com trajes a rigor e muita brincadeira à mistura.

Este domingo, milhares rumaram para ver.

Uma tartaruga aflita num mar de plásticos e redes de pesca, uma bicicleta a apelar a formas de mobilidade mais sustentável, um surfista numa onda de lixo e até o Papa veio à festa de uber. O tema era Ecologia Integral e, este ano, foram dez os que se aventuraram monte abaixo, num carro sem motor, com gincanas, saltos e performances à mistura.

"É uma forma de nos divertirmos e passarmos a mensagem", diz Arminda Santos, que, este ano, se estreou na prova poveira. A educadora de infância veio de Guardizela (Guimarães). O carro em forma de tubarão, fê-lo com o marido. Sereias e peixinhos são "antigas alunas". Já participa, há três anos, na corrida de carrinhos de Guardizela. "Lá é mais carrinhos de rolamentos. Aqui são carros mais trabalhados. É uma festa muito bem conseguida", frisa, "preparadíssima e muito entusiasmada" para descer o monte.

Carlos Silva é o Papa. O grupo de funcionários de três empresas de Famalicão juntou-se para participar. Fizeram o carro todo, em três meses aos fins de tarde, com restos de borracha de uma das empresas e o Papa, "ecológico", veio de uber e com direito a parabólica no tejadilho. Só pelo convívio, diz César Faria, "já vale a pena".

Graciela Moura veio ver com o marido, o filho, a nora e os netos. A filha mora ali. Está emigrada na Suíça. A família juntou-se a assistir. "É uma festa muito gira", remata a mulher, encostada à grade à espera de ver mais carrinhos a descer.

Sede dos escuteiros é objetivo

A Descida de Carros Artesanais é a face mais visível do projeto Laundos em Movimento. É um fim de semana de convívio e de festa para dar as boas-vindas aos emigrantes da freguesia que, por esta altura do ano, regressam à terra. O padre Guilherme Peixoto encabeça a organização, que junta uma centena de voluntários. O objetivo é solidário: angariar fundos para a construção da nova sede dos escuteiros. O projeto está pronto, os primeiros milhares de euros estão já angariados. A obra deve começar no próximo ano.

 

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