Teste Dacia Jogger TCe 110 SL Extreme 7L: Familiar imbatível

7 meses, 1 semanas atrás - 5 Julho 2022, motor24
Teste Dacia Jogger TCe 110 SL Extreme 7L: Familiar imbatível
Apostada em fomentar a sua presença nas estradas, a Dacia tem no Jogger um modelo acessível claramente direcionado para as famílias mais numerosas que tem na funcionalidade um mérito real.

Munido de uma motorização a gasolina frugal e enérgica, o Jogger assume-se como a alternativa mais em conta para quem precisa de transportar até sete passageiros com conforto e simplicidade.

Tal como os outros modelos da gama mais recente, como o Sandero ou o Duster, o Jogger tira partido de um estilo mais moderno e bastante apelativo, tendo aqui uma das suas virtudes, com os faróis integrados com a grelha à frente e grupos óticos atrás que parecem inspirados nos dos SUV da Volvo. Já que falamos em SUV, importa dizer que o Jogger também recolhe alguma inspiração dos modelos Stepway, sobretudo quando observando as proteções da carroçaria a toda a volta. A assinatura luminosa em LED na dianteira é também característica distintiva dos modelos da Dacia. Em comparação com o anterior Lodgy, o progresso é assinalável, sendo a utilização da plataforma mais moderna CMF-B (a mesma dos modelos Renault Clio ou Captur) uma das razões para tal.

No interior, o Jogger segue preceitos muito semelhantes aos do Sandero, com recurso maioritário a plásticos duros mas de boa robustez e com aparência duradoura. Note-se ainda que o desenho do tablier é correto e de fácil utilização, com o ecrã tátil do sistema de infoentretenimento (de 8.0 polegadas opcional na unidade ensaiada) em posição elevada e destacada ao centro, havendo depois um segundo grupo de botões para algumas das funcionalidades (como os bancos aquecidos) e comandos independentes para o sistema de climatização. Tudo muito intuitivo e satisfatório.

Naturalmente, não sendo de esperar mordomias tecnológicas muito avançadas ou materiais nobres, destaque para alguns revestimentos têxteis que dão uma aparência mais convidativa, nomeadamente no tablier e nos encostos de braços das portas. O painel de instrumentos combina os manómetros analógicos convencionais com um pequeno ecrã digital TFT de 3.5 polegadas ao centro para as informações do computador de bordo.

Entre os detalhes práticos, nota para o travão de parque elétrico e para o suporte para o smartphone em posição superior entre a ‘caixa’ do painel de instrumentos e o ecrã central, com tomada USB para respetivo carregamento do dispositivo sem necessidade de cabos a atravessar o tablier.

Admirável versatilidade

Com 4547 mm de comprimento e 2897 mm de distância entre eixos, o Jogger surpreende pelas suas dimensões interiores, sobretudo nesta configuração de sete lugares (existe versão de cinco que privilegia o espaço da bagageira), com três filas de bancos que podem ser usadas por todos os adultos. Com efeito, ao contrário de muitas das soluções semelhantes até de maiores dimensões, os dois bancos da terceira fila são realmente utilizáveis por adultos, oferecendo conforto e espaço, beneficiando até de solução engenhosa para acesso e saída. Aliás, o conforto a bordo é qualidade garantida, seja em que lugar for, mercê de bancos macios e de habitabilidade bastante correta.

A bagageira pode variar na sua capacidade dependendo da configuração de lotação escolhida para o habitáculo. Dos escassos 160 litros em formato de sete lugares aos 1819 litros com os bancos das segunda e terceira filas rebatidos. Para se obter um piso plano na bagageira é necessário retirar os dois últimos bancos (o seu rebatimento causa um degrau pronunciado), um exercício que é muito mais simples do que inicialmente seria de supor, ainda que obrigue a movimentar também os bancos da segunda fila. Cada banco pesa cerca de 10 kg e é facilmente amovível. Na sua configuração de cinco lugares, a capacidade da bagageira assume uns muito convincentes 56 litros, ao nível das melhores carrinhas no mercado.

Os bancos têm suporte muito bom do corpo e são confortáveis, estando os traseiros em posição ligeiramente superior aos da frente, num conceito apelidado de anfiteatro pela visibilidade mais vantajosa a partir da segunda fila.

Andamento vivo

O novo Jogger recorre a um motor de nova conceção, neste caso um 1.0 TCe de três cilindros que é uma evolução do TCe anterior, capaz de debitar 110 CV de potência e 200 Nm de binário máximo, mostrando uma grande polivalência no ritmo, valendo-se sobretudo de uma enorme disponibilidade logo a baixos regimes, o que lhe garante desenvoltura muito interessante em diferentes tipos de condução e com mais peso a bordo.

Graças a uma caixa de velocidades de seis velocidades com escalonamento mais curto nas relações iniciais, o Jogger permite-se assim a oferecer desempenhos agradáveis em aceleração e recuperações aceitáveis, ainda que necessidades de ultrapassagem ou pisos mais inclinados exijam recurso à caixa. O Jogger conta ainda com modo ‘Eco’ que suaviza de forma evidente a entrega da potência, tirando-lhe alguma energia, mas tornando a progressividade um pouco mais agradável na condução. Nota positiva ainda para a insonorização do motor de três cilindros.

O consumo anunciado é de 5,7 l/100 km, tendo sido precisamente esse o valor alcançado no nosso ensaio, cumprindo as expectativas, pelo que pode ser também considerado um ponto a seu favor.

De resto, a condução pauta-se por uma tónica mais confortável, com amortecimento macio e equilibrado, filtrando com bastante eficácia as irregularidades do piso, sendo por aqui e pela sua orientação familiar que o Jogger deve ser elogiado. De forma análoga, é seguro em curva, mas não evita a inclinação pronunciada da carroçaria quando se lhe pede mais velocidade na inserção, sendo que aquilo que menos nos agradou foi, no entanto, a direção algo vaga. Seja como for, o seu comportamento não desilude, resultando agradável.

A gama deste modelo da Dacia divide-se entre versões de cinco e de sete lugares, variando apenas a lotação interior, com os preços a começarem nos 17.000€ para o Jogger Essential de cinco lugares e nos 17.900€ para a mesma versão de equipamento mas de sete lugares. A versão de teste dispunha do nível de equipamento mais completo, o SL Extreme (21.200€), com apontamentos mais radicais na carroçaria e elementos mais valiosos, como os faróis Full LED, a câmara traseira, ou os bancos aquecidos. Entre os itens opcionais, o realce vai para a pintura metalizada Castanho Terracota (425€) e para o sistema Media NAV com ecrã tátil de 8.0”, navegação, rádio DAB e conectividade Android Auto e Apple CarPlay sem fios (500€).

VEREDICTO

O novo Jogger é um familiar de corpo inteiro e de grande funcionalidade para quem precisa de um automóvel competente para viagens com todos os elementos da família, com conforto e agradabilidade nas reações. Bem mais em linha com os padrões qualitativos e funcionais dos automóveis modernos, o Dacia Jogger não dispensa as importantes adições do mundo digital e da conectividade com um custo ainda e sempre contido para que as suas aspirações sejam promissoras.

A motorização a gasolina é versátil e enérgica q.b. para a vasta maioria das ocasiões e dificilmente sentirá falta de energia nas viagens, sendo que a única outra opção na gama é uma mais eclética versão ECO-G bi-fuel de 100 CV a gasolina e GPL que incrementa a autonomia e que será ainda mais benéfica para quem tenha facilidade de abastecimento e faça mesmo muitos quilómetros.

Em conclusão, o Jogger preenche os requisitos certos para a família e isso valer-lhe-á os atributos de sucesso que a Dacia tanto deseja, até porque a relação entre a sua versatilidade e o custo revela-se… imbatível.

MAIS
Estética moderna
Funcionalidade e espaço a bordo
Prestações do motor
Consumos
Conforto
PreçoMENOS
Recurso excessivo a plásticos duro no interior
Alguns acabamentos menos precisos

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