Isuzu D-Max EV 4x4 Cabina Dupla. Aptidões de sempre

há 13 horas atrás - 27 Outubro 2026, turbo
Isuzu D-Max EV 4x4 Cabina Dupla. Aptidões de sempre
Mantendo o ADN original, a Isuzu D-Max passou a contar com uma versão elétrica com tração integral que oferece as mesmas capacidades da congénere diesel. A autonomia anunciada ligeiramente superior a 260 km é suficiente para raios de ação limitados, mas é possível recuperar até 80% da capacidade da bateria numa hora.

Paulatinamente, a eletrificação está a chegar ao universo das pick-up. Primeiro surgiram modelos elétricos com tração traseira (4x2) como a Maxus T90 EV ou a Foton eTunland, seguindo-se depois as propostas híbridas plug-in como a Ford Ranger Plug-In Hybrid ou a BYD Shark Super Hybrid DMO, que ainda não tem lançamento previsto para Portugal. Finalmente, as versões de tração integral (4x4) também passaram a contar com versões elétricas a bateria como a KGM Musso EV, a Toyota Hilux BEV ou a Isuzu D-Max EV, agora analisada.

A Isuzu ficou mundialmente conhecida pelos seus motores diesel robustos e fiáveis. Contudo também entra para a história como a primeira marca japonesa a produzir em série uma pick-up elétrica com tração às quatro rodas.

No processo de desenvolvimento, os engenheiros da Isuzu tiveram a preocupação de manterem inalteradas algumas das caraterísticas típicas da D-Max, como o comprimento exterior de 5,27 metros e a capacidade de carga de aproximadamente uma tonelada.

À primeira vista não é fácil distinguir a D-Max EV da sua congénere diesel. As dimensões da variante de cabina dupla são idênticas, assim como as jantes, os pára-choques e a silhueta. As poucas diferenças consistem nos apontamentos em azul nos grupos óticos e na grelha, assim como os emblemas EV nas laterais do capot e no taipal traseiro.

Design conservador

Se o design exterior das versões térmicas e elétrica da D-Max é semelhante, o mesmo acontece no habitáculo da versão com caixa de velocidades automática. O estilo é bastante conservador, com ambiente geral em tons preto e cinza escuro, sendo utilizados sobretudo plásticos rijos, para assegurar uma maior robustez, durabilidade e facilidade de limpeza.

Por outro lado, a qualidade de construção e o rigor na montagem dos elementos do painel de bordo é inquestionável, como já é típico dos modelos japoneses, embora a D-Max EV seja produzida na Tailândia, juntamente com a sua “prima” BT-50 da Mazda, que não é comercializada na Europa e ainda não tem nenhuma versão elétrica.

Os bancos dianteiros são em pele e possuem regulação elétrica, pelo que não será difícil ao condutor encontrar a melhor posição atrás do volante multifunções, também com revestimento em pele. A alavanca de seleção dos programas de marcha tem um design semelhante ao da transmissão automática da versão diesel, estando alojada por cima do túnel do motor.

A parte superior da consola central acomoda um ecrã tátil de 9”, que poderia ter uma dimensão maior, enquanto a resolução dos gráficos poderia ser melhor. Felizmente tem conectividade com Android Auto e Apple CarPlay pelo que a maioria dos utilizadores irá emparelhar os seus smartphones com um daqueles sistemas e raramente irá usar o de origem, que, de resto, também não tem navegação incluída.

Por baixo da consola central encontra-se o ar condicionado automático, ventilação traseira, sendo a regulação da temperatura e da ventilação efetuada por botões físicos e não no ecrã tátil, como acontece em muitos modelos.

A principal alteração relativamente encontra-se à frente do condutor, já que o ecrã LCD de 7” electroluminiscente conta com mostradores específicos para o potenciómetro e para o nível de carga da bateria, além fornecer informação acerca da autonomia renascente e do consumo de energia.

Bateria de 66,9 kWh

Para iniciar a márcha basta carregar no botão Start & Stop, desengatar o travão de estacionamento mecânico e selecionar o programa pretendido através da alavanca da transmissão. A visibilidade para a frente é bastante boa, graças ao amplo pára-brisas, embora os pilares dianteiros grossos e o suporte para as mãos não ajudem muito. Não é fácil ver onde acaba o veículo porque é bastante comprido, mas a câmara traseira dá uma preciosa ajuda nas manobras, assim como os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

A linha motriz da D-Max EV compreende dois motores elétricos que desenvolvem uma potência combinada de 190 cv (140 kW) e um binário de 325 Nm, permitindo a esta pick-up com um peso em vazio de 2,42 toneladas acelerar dos 0 aos 100 km/h em 10,1 segundos.

A entrega de potência é bastante suave, sendo distribuída pelas quatro rodas através de um sistema de tração permanente que dispõe do conhecido Terrain Modo da congénere diesel.

O sistema de propulsão elétrico recebe energia armazenada numa bateria de iões de lítio com capacidade de 66,9 kWh, assente no chassis e com placas inferiores de proteção, que promete uma autonomia de até 263 quilómetros em ciclo WLTP, embora em condições reais seja mais de esperar um alcance de 236 km.   

Para recuperar entre 20% a 80% da capacidade da bateria é possível efetuar carregamentos rápidos em postos com potência de até 50 kW, operação que demora cerca de uma hora. Em corrente alterna, uma carga completa demora cerca de 10 horas num posto com potência de 11 kW.

Dinâmica competente

Em termos dinâmicos, a D-Max EV distingue-se pela suavidade e pela elevada disponibilidade de binário nos arranques. Como não existe inércia do turbo, a potência é transferida quase instantaneamente para as as quatro rodas. Para não comprometer a segurança nem a autonomia, a velocidade máxima está limitada a 129 km/h.

O comportamento em curva é otimizado graças ao baixo centro de gravidade. A suspensão é semelhante à da versão diesel, isto é, ligeiramente saltitante com caixa vazia em pisos de asfalto e bastante eficaz em fora de estrada.

A D-Max EV oferece dois modos de condução Eco e Normal, sendo, que curiosamente, o primeiro é bastante melhor no controlo de desaceleração em fora de estrada, reduzindo a necessidade de travagem com o pé. Um apoio auxiliar em terrenos declives mais acentuados é assegurado pelo sistema de auxílio nas descidas, ativado através de um comando localizado na base da consola central.

Aptidões em fora de estrada

O sistema de tração integral permanente está associado a um sistema de travagem regenerativa com quatro níveis de intensidade, selecionáveis por patilhas atrás do volante, permitindo otimizar o consumo de energia, tendo o computador de bordo registado uma média de 21,1 kWh/100 km, valor abaixo dos 25 kWh/100 km anunciados pela marca, que não deixa de ser interessante para um veículo que pesa em vazio mais de 2,4 toneladas.

Graças à placa de proteção de 5 mm por baixo da carroçaria e ao auxílio do sistema de suspensão independente DeDion, que otimiza o comportamento e oferece um rolamento mais suave, a pick-up elétrica da Isuzu pode aventurar-se pelos caminhos mais exigentes sem ser necessário tomar precauções especiais, dentro naturalmente dos limites da física. Para isso contribui uma altura ao solo de 21 centímetros e os ângulos de ataque de 30,5º, ventral de 24,2º e de saída de 17,6º. A capacidade de passagem a vau é de 600 mm.

Para apoiar a condução, a D-Max conta com os mais avançados sistemas de auxílio, destacando-se a travagem de emergência, reconhecimento de sinais de trânsito, controlo inteligente de velocidade, alerta de saída de faixa de rodagem, monitorização de ângulo morto, aviso de tráfego traseiro, deteção de perigos em ultrapassagens, entre outros.

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