
A tempestade que atingiu a região de Leiria provocou danos irreparáveis na unidade industrial TJ Moldes, especializada na produção de moldes para a indústria automóvel. A fábrica, localizada na Marinha Grande, pertence à família de João Faustino, e ficou completamente destruída, inviabilizando a retoma da atividade no curto prazo.
Segundo o empresário, os prejuízos são elevados e obrigam agora à redefinição da estratégia da empresa, incluindo a eventual reconstrução das instalações e a reorganização das encomendas em carteira.
A TJ Moldes era uma empresa fortemente orientada para a exportação e integrava a cadeia de fornecimento de grandes construtores automóveis internacionais.
Fornecimentos a marcas alemãs e impacto externo
Entre os principais clientes da TJ Moldes encontram-se marcas como Mercedes-Benz, Ford e Grupo Volkswagen, além da Porsche. A empresa produzia moldes essenciais para o fabrico de componentes automóveis, muitos dos quais integrados em linhas de montagem na Alemanha.
Em declarações à RTP, João Faustino alertou que a interrupção súbita da produção pode ter reflexos diretos nas cadeias logísticas internacionais, comprometendo prazos de entrega e afetando o ritmo de produção de algumas unidades industriais alemãs.
A indústria automóvel opera em regime “just-in-time”, com reduzidas margens para atrasos no fornecimento, o que poderá amplificar os efeitos da paralisação.
Setor dos moldes teme efeito em cadeia
O presidente da Associação Nacional da Indústria de Moldes considera que este caso evidencia a vulnerabilidade da cadeia de abastecimento a fenómenos climáticos extremos. O setor dos moldes, um dos mais exportadores da economia portuguesa, depende fortemente da estabilidade produtiva e logística.
Portugal é reconhecido internacionalmente pela qualidade e precisão dos seus moldes, sendo a indústria automóvel um dos principais destinos das exportações. Uma interrupção prolongada poderá gerar impactos financeiros significativos, não apenas para a empresa afetada, mas também para parceiros e fornecedores.
O receio é que surjam efeitos em cascata noutras empresas da região, sobretudo se houver atrasos prolongados na retoma da atividade.
Fenómenos extremos pressionam indústria
Especialistas têm alertado para o aumento da frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, associados às alterações climáticas. Tempestades mais severas representam riscos acrescidos para infraestruturas industriais, particularmente quando não existem planos de contingência robustos.
O caso da TJ Moldes reforça a necessidade de investimento em infraestruturas resilientes, seguros adequados e estratégias de mitigação de risco. Para um setor estratégico e altamente internacionalizado como o dos moldes, a capacidade de resposta a crises poderá tornar-se determinante para preservar competitividade e confiança junto dos grandes fabricantes automóveis.
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