Ensaio VW ID4 204Cv – O SUV elétrico da VW

1 ano, 4 meses atrás - 1 Setembro 2021, multinews
Ensaio VW ID4 204Cv – O SUV elétrico da VW
Muito parecido no desenho exterior ao ID3 como seria expetável e fazendo também uso da mesma plataforma exclusiva para elétricos  – MEB – o ID4 é de facto apelativo.

E o elogio é ainda maior quando a marca teve de criar um novo modelo a partir de uma folha em branco e apresentar uma tendência e uma referência que se perpetue no tempo. E sabemos o quão importante é o primeiro impacto de um novo modelo no mercado.

No caso, podemos detetar nalguns detalhes influências do Golf e, quase que diria do Porsche, na traseira. O certo é que, visto de qualquer lado, o ID4 apresenta um aspeto jovial, robusto e elegante, num meio caminho entre o futuro e o retro…além das grandes dimensões do modelo. Diria, ser difícil, não gostar dele ao primeiro olhar.

E, se no exterior a elegância está bem patente, quando acedemos ao interior somos brindados com um espaço que, pessoalmente é do meu agrado. Minimalista q.b. com uns ótimos, confortáveis e ergonómicos bancos, com apoio de braços individual. O volante agrega parte das funções mais utilizadas do modelo em botões sensitivos. Uma referência para os dois botões para acionamento dos vidros, sendo necessário clicar noutro botão para, por software, utilizar os mesmos botões para os vidros traseiros.

Um detalhe que pode ser melhorado é a incorporação da chave inteligente para as portas e bagageira em todas as versões. Referência também para o botão/haste para acionar a caixa de velocidades – diferente do usual e presente na lateral direita do painel de instrumentos que, depois de alguma habituação é de simples utilização.

Em termos de espaço interior tudo nele é grande. Por vezes as marcas recorrem a truques para percecionarmos amplo espaço interior, por exemplo, com bancos mais curtos e finos. Mas aqui nada disso ocorre. Todos os bancos são do tamanho correto e amplos, com o espaço, tanto à frente como atrás… enorme.

E em estrada?

Bom, como existem duas baterias para este modelo, uma de 52kwh e outra de 77 kwh temos autonomias distintas. No veículo de ensaio utilizámos a de 77kwh com autonomia perto dos 350kms em estrada.

Para o ensaio que previ, + ou – 300kms, percebi que deveria efetuar um carregamento adicional (acabei por fazer dois), não somente porque é difícil obter estes valores em estrada, com declives e subidas, retomas de aceleração, etc mas porque também iria subir a Serra da Estrela.

Assim, saindo de Lisboa, resolvo parar em Aveiras para o primeiro carregamento e, encontro o carregador avariado. Simpaticamente a loja da Galp abriu-me o portão para aceder ao lado contrário da autoestrada e aí carregar o ID4.

E, no curto tempo de espera para carregamento, um primeiro pensamento. Antes do ensaio em estrada já tinha utilizado o ID4 para ir ao meu jogo de Padel (sim que o Lamborghini Huracan demonstrou que tenho de apostar mais em baixar peso!). E, o que retive foi uma usabilidade de bom nível, conforto elevado, sentado num autêntico sofá, comportamento de nível superior e uma qualidade de materiais posicionados num patamar superior.

E, carregado que estava o ID4 é altura de avançar pela A1, depois A23, rumo à Serra. -De modo a ter autonomia na Serra da Estrela – recordo que somente a Pousada da Juventude da Serra da Estrela possui um posto de carregamento próprio –  resolvi voltar a carregar o ID4.

Notas a reter: depois dos mais de 300kms – 30 em estrada de montanha, 130kms em estrada nacional e restantes em AE,  itens a destacar:  conforto, comportamento,  precisão da direção,  travões potentes e a imensa disponibilidade do ID4 com tração traseira.

Como é óbvio podemos sempre encontrar pontos de melhoria e, alguns deles, advêm de gostos pessoais. São disso exemplo o ecrã central – com o sistema de infotainment de 12” – que gostaria de ver integrado no tablier e de alguma habituação ao mesmo na sua utilização.

Para se ter uma ideia do gasto de bateria em subida na Serra da Estrela, desde a Covilhã até à Torre, conseguimos “perder” 100kms de autonomia (AC ligado e sem cuidados a gerir a bateria – utilização normal) – muito embora em descida recuperemos parte da mesma, num sistema bem calibrado.

Em resumo, um veículo bem construído ao nível do que a VW nos habituou – e que foi das que mais investiu na eletrificação dos seus modelos – senhor de uma posição de condução mais elevada, com autonomia perto dos 360 kms (em estrada) e de 520km mais em cidade, com vários modos de condução – eco, conforto, sport, individual – mais de 2 toneladas de peso, com um raio de viragem impar (melhor que os mercedes a combustão e ao nível do Honda e) com um preço de 39.000€ mínimo (47.000€ a de ensaio) até um máximo de 58.000€.

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