A possibilidade de avançar com portagens na Avenida Marginal (EN6), que liga Lisboa a Cascais, foi admitida pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, como forma de financiar as obras e a manutenção daquela estrada.
A ideia surge depois de a autarquia ter aprovado a transferência para a sua jurisdição de vários troços rodoviários, incluindo parte da Marginal até ao limite do concelho, em Carcavelos.
A Câmara pretende assumir a gestão desta infraestrutura e avançar com intervenções destinadas a melhorar a segurança rodoviária.
Entre as intervenções previstas estão a continuação do corredor central até Carcavelos, uma nova rotunda junto à saída da Parede, a instalação de radares de velocidade e de câmaras para controlo do tráfego e videovigilância.
É precisamente para ajudar a suportar estes investimentos que entra em cena a possibilidade de criar uma portagem na Marginal. Nuno Piteira Lopes garante, contudo, que os moradores de Cascais ficariam isentos.
“Desde o primeiro segundo ficou indicado que os munícipes de Cascais não iriam, obviamente, pagar essa portagem”, afirmou o autarca, citado pela CNN Portugal/TVI.
Ou seja, a medida teria como principal alvo quem utiliza a Marginal para entrar ou sair de Cascais sem ser residente no concelho.
A proposta está longe de ser consensual. O vereador socialista João Alexandre Ferreira Ruivo contestou a possibilidade, alertando para o risco de a cobrança levar os automobilistas a procurar caminhos alternativos e, consequentemente, transferir trânsito para zonas residenciais.
A Câmara de Cascais associa a eventual portagem à necessidade de reduzir a dependência do automóvel. Para isso, a autarquia conta também com a modernização da Linha de Cascais, atualmente em curso.
A Infraestruturas de Portugal está a modernizar a via, a eletrificação, a sinalização e outros equipamentos da linha, com o objetivo de melhorar a segurança, eficiência e competitividade do transporte ferroviário na Área Metropolitana de Lisboa.
Piteira Lopes considera que esta evolução poderá permitir retirar mais pessoas do transporte individual e transferi-las para o comboio.
Para já, contudo, não existe ainda uma portagem definida, nem foram divulgados valores ou um modelo concreto de cobrança. A Câmara de Cascais espera assumir a gestão do troço da Marginal até ao final do ano.
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