
Mangualde tem todas as condições para conquistar a produção do novo Citroën 2CV. Com a localização industrial do futuro elétrico ainda por definir, Múcio Brasileiro, diretor-geral da fábrica portuguesa da Stellantis, reconhece as qualidades da unidade portuguesa e que gostaria de voltar a produzir um modelo tão ligado à história da fábrica de Mangualde.
Como já noticiámos, Xavier Chardon, diretor-executivo da Citroën, garantiu-nos em Paris que o novo 2CV será produzido na Europa. A escolha da fábrica permanece em aberto. Mas “sonhar não custa (…). Seria uma honra enorme” respondeu à Razão Automóvel Múcio Brasileiro, sem confirmar que Mangualde esteja a ser avaliada para receber o projeto.
Um sonho que, nas suas palavras está assente, na competitividade da fábrica de Mangualde que é uma das mais rentáveis a nível mundial. As declarações foram feitas no podcast Auto Talks, realizado no Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico (SAHE), na Alfândega do Porto. Pode ouvir a entrevista, na íntegra, no YouTube e Spotify:
A possibilidade tem fundamento industrial. Mangualde destaca-se dentro da Stellantis pelo desempenho em custos, qualidade e eficiência, características particularmente relevantes para um automóvel que a Citroën pretende produzir na Europa com a ambição de começar nos 15 mil euros.
Na entrevista, Múcio Brasileiro explicou que manter a competitividade da fábrica é essencial para atrair novos investimentos do grupo. E a introdução dos veículos elétricos demonstrou também a capacidade de resposta da unidade portuguesa: a produção em série arrancou em outubro de 2024, antecipando os planos iniciais da Stellantis.
A transformação incluiu uma linha de montagem de baterias e a formação das equipas para trabalhar com a nova tecnologia. Para o responsável, o conhecimento acumulado dentro da fábrica continua a fazer a diferença, mesmo com a crescente automação. “Os nossos funcionários fazem toda a diferença. E vão fazer sempre”, afirmou.
Embora Mangualde trabalhe perto da capacidade máxima, receber o 2CV não implicaria necessariamente acrescentar a sua produção à dos modelos atuais. Os Citroën Berlingo, Peugeot Partner/Rifter, Opel Combo e Fiat Doblò também são produzidos noutras unidades da Stellantis. É o caso de Vigo, em Espanha, que fabrica esta família de veículos nas versões de combustão e elétricas.
Um cenário possível seria, assim, redistribuir parte ou a totalidade das cerca de 90 mil unidades anuais atualmente atribuídas a Mangualde por outras fábricas com capacidade disponível. Essa reorganização libertaria espaço na unidade portuguesa para receber a produção do novo 2CV.
Trata-se de uma hipótese industrial, que depende das decisões da Stellantis sobre a distribuição dos seus modelos. Na entrevista, Múcio Brasileiro não anunciou qualquer plano de transferência da produção atual ou de atribuição do 2CV a Portugal, referindo apenas que esse processo é decidido na cúpula da Stellantis, sem interferência direta das fábricas.
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