
A ligação entre Ayrton Senna e o Honda NSX é quase umbilical. O icónico piloto brasileiro ficou conhecido por «ensinar» o supercarro nipónico a curvar e é precisamente um dos NSX que Senna usava em Portugal que vai agora a leilão.
A RM Sotheby’s vai levar este Honda NSX registado em 1991 com matrícula portuguesa e uma ligação muito próxima ao piloto a leilão em Londres, a 31 de outubro. A estimativa situa-se entre 500 mil e 800 mil libras, aproximadamente 600 mil a 950 mil euros. Como referência, o recorde em leilão pertence atualmente a um Honda NSX-R de 2003, vendido por 934 375 euros em maio de 2025.
É muito dinheiro por um Honda NSX, mas este está longe de ser um exemplar qualquer. Com o chassis JHMNA11500T000233, foi um dos três NSX que a Honda disponibilizou a Ayrton Senna para uso pessoal e aquele que o tricampeão utilizava quando estava em Portugal.
Pintado na cor Formula Red, com tejadilho preto e interior em pele preta, foi importado pela Honda Automóvel de Portugal e matriculado a 22 de março de 1991 com a matrícula SX-25-59. Ficava guardado em Lisboa e era entregue a Senna sempre que este vinha ao país, onde tinha uma propriedade na Quinta do Lago.
Senna deu-lhe bastante uso. Chegou mesmo a conduzi-lo até ao Grande Prémio de Portugal de 1991, no Estoril, onde arrancou da terceira posição e terminou em segundo.
Este NSX tornou-se ainda protagonista de algumas das imagens mais conhecidas da relação entre Senna e o desportivo japonês. Surge no documentário “Ayrton Senna: Racing Is in My Blood”, de 1992, numa sequência em que o brasileiro faz os pneus traseiros «cantar», e é também o carro da famosa fotografia em que aparece a lavá-lo com uma mangueira.
A ligação entre Ayrton Senna e o Honda NSX começou muito antes de este exemplar chegar a Portugal. Durante o desenvolvimento do modelo, o brasileiro testou protótipos e foi particularmente crítico em relação à rigidez da carroçaria.
Os seus comentários levaram a Honda a aumentar a rigidez da estrutura em cerca de 50% e a rever a afinação da suspensão. Senna acabou, assim, por ter uma participação bastante mais importante na história do NSX do que a simples utilização de alguns exemplares.
Após a morte de Senna, em 1994, o NSX permaneceu em Portugal. A documentação que acompanha o carro inclui o histórico de registo português e uma confirmação da Honda da sua ligação ao piloto, posteriormente reafirmada pela Honda Motor Europe.
Em fevereiro de 1995, o NSX foi registado em Lisboa em nome da Laboa Etablissement. Dois anos depois, estava ao cuidado do concessionário Honda Nipomotor. Em 2009 passou para o proprietário da MSCAR, no Algarve, e, em 2013, foi adquirido por Robert McFagan, que o levou para o Reino Unido. Foi aí registado para circular em 2016.
Apesar de ser frequentemente visto com a matrícula portuguesa SX-25-59, o NSX passou a estar legalmente registado no Reino Unido. Ainda assim, McFagan optou por manter as matrículas portuguesas originais no carro durante aparições públicas, exposições e sessões fotográficas, preservando assim uma das suas características mais reconhecíveis.
Em 2019 regressou a Imola para assinalar os 25 anos da morte de Senna e foi conduzido por Giancarlo Minardi. Cinco anos depois, foi colocado à venda no Reino Unido por 500 mil libras e acabou adquirido pelo atual proprietário, em Nagoya, regressando assim ao Japão.
Agora está de volta ao Reino Unido e procura novamente dono. Se chegar ao topo da estimativa da RM Sotheby’s, os 950 mil euros, estará entre os Honda NSX mais caros alguma vez vendidos. Não surpreende: poucos automóveis de estrada estão tão intimamente ligados a Ayrton Senna como este.

