
O Ministério Público prevê concluir o inquérito apenas no primeiro trimestre de 2027 e o relatório final do GPIAAF também só deverá ficar pronto no próximo ano. A oposição acusa a Câmara de Lisboa de falhar no apoio às vítimas e famílias, na resposta às indemnizações e no apuramento das responsabilidades.
Um ano depois do descarrilamento do Elevador da Glória, continuam por apurar de forma definitiva as causas e eventuais responsabilidades pela tragédia. O acidente, que matou 16 pessoas e feriu outras 24, aconteceu a 3 de setembro de 2025, pelas 18 horas, quando o histórico ascensor descia a Calçada da Glória, em Lisboa.
Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, a investigação ao acidente ainda decorre, bem como o apoio aos familiares das 16 vítimas mortais e aos 24 feridos, de 15 nacionalidades, registando-se quatro processos indemnizatórios concluídos.
O histórico ascensor descarrilou a 3 de setembro de 2025, pelas 18 horas, numa tragédia com 16 mortos, sobretudo turistas estrangeiros, mas também cinco portugueses: o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabines deste equipamento gerido pela empresa municipal Carris, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que utilizavam este transporte público.
O acidente provocou ainda 24 feridos, dos quais nove graves. Todos "permanecem sem a sua situação clínica definitivamente consolidada", informou a seguradora da Carris, a Fidelidade, a 27 de agosto.
"Nestes casos, a avaliação indemnizatória definitiva apenas poderá ser realizada quando exista estabilização clínica que permita determinar, de forma adequada, a extensão das eventuais sequelas e dos danos sofridos", adiantou.
A Carris, que tem como acionista única a Câmara Municipal de Lisboa (CML), assegura que "mantém contacto com vítimas e familiares e presta apoio nos assuntos em que pode ser útil", num acompanhamento "social, humano e logístico", ressalvando que não substitui a intervenção da Fidelidade, gestora das indemnizações depois de acionado o seguro, com uma cobertura até 50 milhões de euros.
Essa informação consta de um site criado recentemente pela transportadora dedicado ao ascensor da Glória e a outros quatro equipamentos históricos que deixaram de circular após o descarrilamento, para serem inspecionados: os ascensores da Bica e do Lavra e o elevador de Santa Junta, que continuam inoperacionais sem previsão de retoma, e o funicular da Graça, reaberto em abril.
Na segunda-feira, a CML e a Carris apresentaram a solução para o futuro ascensor da Glória, com um "novo sistema" que garantirá "toda a segurança", prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027 e a inauguração do equipamento em 2029.
Questionado sobre a concretização de um memorial na Calçada da Glória em honra das vítimas, já que na quinta-feira se cumpre um ano desde a tragédia, o vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis (PSD), respondeu: "O memorial será tratado na devida altura, portanto, quando ocorrer, digamos, um ano do acidente."
Ao longo destes 12 meses, houve sobreviventes e familiares das vítimas mortais a denunciar a falta de contacto por parte da CML, apesar de autarquia assegurar que contactou todos os envolvidos.
Recentemente, em entrevista ao Expresso, uma família alemã sobrevivente relatou: "Ninguém de Portugal demonstrou interesse por nós até hoje. Ninguém entrou em contacto connosco, a não ser a embaixada da Alemanha em Lisboa. E da parte da seguradora portuguesa Fidelidade também não houve qualquer pagamento ou apoio."
Esta família decidiu avançar para tribunal, para se perceber quem falhou e se evitar que volte a acontecer. "Nós quase morremos, mas continuamos vivos. Queremos avançar também em nome daqueles que morreram ou não podem fazê-lo por não terem condições económicas. No nosso caso não precisamos do dinheiro. Podemos até dá-lo a uma instituição", referiu.
Até ao momento, a Fidelidade disse que "suportou diretamente, ou assumiu a responsabilidade pelo reembolso, de aproximadamente 2,3 milhões de euros em despesas relacionadas com o acidente", incluindo indemnizações, serviços funerários, repatriamentos, consultas, tratamentos, internamentos, intervenções cirúrgicas, reabilitação, transportes, salários perdidos, entre outros.
Relativamente às mortes, a seguradora disse que "foram alcançados acordos indemnizatórios com as famílias de quatro vítimas" e estão atualmente em negociação sete processos, enquanto "uma situação segue os respetivos trâmites judiciais, após não ter sido possível, até ao momento, alcançar acordo".
"Existe outra vítima mortal que está a ser regularizada exclusivamente em sede de acidentes de trabalho à qual estão a ser pagas pensões provisórias que se manterão até que esteja concluído o processo no tribunal do trabalho", indicou.
Nos restantes três casos ainda não foi possível apresentar uma proposta indemnizatória definitiva por necessidade de "documentação indispensável e das especificidades legais dos países envolvidos".
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