Elevador da Glória: um ano depois, investigação continua sem respostas e oposição exige responsabilidades

há 12 horas atrás - 3 Setembro 2026, jn.pt
Elevador da Glória: um ano depois, investigação continua sem respostas e oposição exige responsabilidades
O acidente que matou 16 pessoas e feriu 24 cumpre um ano esta quinta-feira. Um ano depois, continuam por apurar de forma definitiva as causas e eventuais responsabilidades pela tragédia.

O Ministério Público prevê concluir o inquérito apenas no primeiro trimestre de 2027 e o relatório final do GPIAAF também só deverá ficar pronto no próximo ano. A oposição acusa a Câmara de Lisboa de falhar no apoio às vítimas e famílias, na resposta às indemnizações e no apuramento das responsabilidades.

Um ano depois do descarrilamento do Elevador da Glória, continuam por apurar de forma definitiva as causas e eventuais responsabilidades pela tragédia. O acidente, que matou 16 pessoas e feriu outras 24, aconteceu a 3 de setembro de 2025, pelas 18 horas, quando o histórico ascensor descia a Calçada da Glória, em Lisboa.

Um ano após a tragédia no elevador da Glória faltam indemnizações para 36 vítimas

Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, a investigação ao acidente ainda decorre, bem como o apoio aos familiares das 16 vítimas mortais e aos 24 feridos, de 15 nacionalidades, registando-se quatro processos indemnizatórios concluídos.

O histórico ascensor descarrilou a 3 de setembro de 2025, pelas 18 horas, numa tragédia com 16 mortos, sobretudo turistas estrangeiros, mas também cinco portugueses: o guarda-freio André Marques, que operava uma das cabines deste equipamento gerido pela empresa municipal Carris, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que utilizavam este transporte público.

O acidente provocou ainda 24 feridos, dos quais nove graves. Todos "permanecem sem a sua situação clínica definitivamente consolidada", informou a seguradora da Carris, a Fidelidade, a 27 de agosto.

"Nestes casos, a avaliação indemnizatória definitiva apenas poderá ser realizada quando exista estabilização clínica que permita determinar, de forma adequada, a extensão das eventuais sequelas e dos danos sofridos", adiantou.

A Carris, que tem como acionista única a Câmara Municipal de Lisboa (CML), assegura que "mantém contacto com vítimas e familiares e presta apoio nos assuntos em que pode ser útil", num acompanhamento "social, humano e logístico", ressalvando que não substitui a intervenção da Fidelidade, gestora das indemnizações depois de acionado o seguro, com uma cobertura até 50 milhões de euros.

Essa informação consta de um site criado recentemente pela transportadora dedicado ao ascensor da Glória e a outros quatro equipamentos históricos que deixaram de circular após o descarrilamento, para serem inspecionados: os ascensores da Bica e do Lavra e o elevador de Santa Junta, que continuam inoperacionais sem previsão de retoma, e o funicular da Graça, reaberto em abril.

Na segunda-feira, a CML e a Carris apresentaram a solução para o futuro ascensor da Glória, com um "novo sistema" que garantirá "toda a segurança", prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027 e a inauguração do equipamento em 2029.

Questionado sobre a concretização de um memorial na Calçada da Glória em honra das vítimas, já que na quinta-feira se cumpre um ano desde a tragédia, o vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis (PSD), respondeu: "O memorial será tratado na devida altura, portanto, quando ocorrer, digamos, um ano do acidente."

Ao longo destes 12 meses, houve sobreviventes e familiares das vítimas mortais a denunciar a falta de contacto por parte da CML, apesar de autarquia assegurar que contactou todos os envolvidos.

"Ninguém em Portugal demonstrou interesse"

Recentemente, em entrevista ao Expresso, uma família alemã sobrevivente relatou: "Ninguém de Portugal demonstrou interesse por nós até hoje. Ninguém entrou em contacto connosco, a não ser a embaixada da Alemanha em Lisboa. E da parte da seguradora portuguesa Fidelidade também não houve qualquer pagamento ou apoio."

Esta família decidiu avançar para tribunal, para se perceber quem falhou e se evitar que volte a acontecer. "Nós quase morremos, mas continuamos vivos. Queremos avançar também em nome daqueles que morreram ou não podem fazê-lo por não terem condições económicas. No nosso caso não precisamos do dinheiro. Podemos até dá-lo a uma instituição", referiu.

Até ao momento, a Fidelidade disse que "suportou diretamente, ou assumiu a responsabilidade pelo reembolso, de aproximadamente 2,3 milhões de euros em despesas relacionadas com o acidente", incluindo indemnizações, serviços funerários, repatriamentos, consultas, tratamentos, internamentos, intervenções cirúrgicas, reabilitação, transportes, salários perdidos, entre outros.

Relativamente às mortes, a seguradora disse que "foram alcançados acordos indemnizatórios com as famílias de quatro vítimas" e estão atualmente em negociação sete processos, enquanto "uma situação segue os respetivos trâmites judiciais, após não ter sido possível, até ao momento, alcançar acordo".

"Existe outra vítima mortal que está a ser regularizada exclusivamente em sede de acidentes de trabalho à qual estão a ser pagas pensões provisórias que se manterão até que esteja concluído o processo no tribunal do trabalho", indicou.

Nos restantes três casos ainda não foi possível apresentar uma proposta indemnizatória definitiva por necessidade de "documentação indispensável e das especificidades legais dos países envolvidos".

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