Grupo Volkswagen pode acabar com a SEAT

1 week atrás - 4 Setembro 2026, razaoautomovel
Grupo Volkswagen pode acabar com a SEAT
O plano de reestruturação do Grupo Volkswagen prevê o fim da SEAT até 2029 e aposta reforçada na CUPRA. A decisão ainda não é final.

O fim da SEAT poderá acontecer antes do final da década. Segundo o jornal económico alemão WirtschaftsWoche, os planos de reestruturação do Grupo Volkswagen preveem retirar a histórica marca espanhola do mercado até ao final de 2029.

A informação surge no mesmo documento confidencial a que o jornal teve acesso e que revelou as possíveis datas para o encerramento de quatro fábricas do Grupo Volkswagen na Alemanha. Como então explicámos, a administração aprovou o plano, que será agora apresentado ao conselho de supervisão.

A decisão final, por isso, ainda não foi tomada. O conselho de supervisão reúne-se esta sexta-feira, 4 de setembro, e terá de se pronunciar sobre um conjunto de medidas que promete transformar profundamente o maior construtor automóvel europeu.

A SEAT, contactada em Espanha pelo jornal Expansión, confirmou que até ao momento não foi tomada qualquer decisão definitiva.

Futuro chama-se CUPRA

Segundo o documento citado pelo WirtschaftsWoche, a SEAT deixa de fazer parte da visão estratégica do Grupo Volkswagen para 2030. O objetivo passa por reduzir a complexidade e as necessidades de investimento dentro do grupo Core, que reúne as marcas Volkswagen, Skoda, SEAT/CUPRA e Volkswagen Veículos Comerciais.

O plano prevê concentrar na CUPRA o desenvolvimento futuro atualmente partilhado com a SEAT. A escolha não surpreende. Desde que foi criada em 2018, a CUPRA tem conhecido um desenvolvimento fulgurante e assumido um peso cada vez maior na estratégia da SEAT S.A., que reúne as duas marcas.

Esse investimento em modelos próprios tem-se traduzido em vendas crescentes ano após ano e, em 2025, permitiu à CUPRA, pela primeira vez, ultrapassar a SEAT: 328 819 unidades contra 257 432 unidades. Um ano antes, a relação era inversa.

Para mais, o posicionamento mais elevado da CUPRA no mercado permite praticar preços superiores aos da SEAT e potenciar a rentabilidade. A lógica da aposta é fácil de perceber.

SEAT pode acabar, mas Martorell não

Importa também separar as coisas. O plano revela o fim da marca SEAT, mas isso não significa o fim da SEAT S.A. enquanto empresa, nem o encerramento de Martorell.

Pelo contrário, a unidade espanhola acaba de ganhar ainda mais importância dentro do Grupo Volkswagen. Martorell é hoje um dos principais pilares da eletrificação do grupo alemão. O CUPRA Raval — que já testámos — e o Volkswagen ID. Polo, dois dos modelos elétricos mais importantes para os segmentos mais acessíveis, iniciaram a sua produção em Martorell no último mês de junho.

Se o plano de reestruturação do Grupo Volkswagen avançar, estamos a assistir aos últimos anos de uma marca nascida em 1950 para colocar Espanha sobre rodas. Primeiro, produzindo sob licença modelos da FIAT, mais tarde com derivações e modelos próprios, antes de ser comprada pelo Grupo Volkswagen em 1986.

Ao longo de 76 anos, a SEAT produziu mais de 20,5 milhões de automóveis e deu origem a modelos emblemáticos, como o 600, o Ibiza ou o Leon.

Resta agora saber se o plano terá luz verde.

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