Elétrico que custa 9000 euros na China a caminho de Portugal

há 23 horas atrás - 9 Julho 2026, razaoautomovel
Elétrico que custa 9000 euros na China a caminho de Portugal
As primeiras unidades do Geely E2 já estão em navios a caminho da Europa. Mas no desembarque terá outros preços e outras especificações.

O utilitário elétrico que na China se chama Xingyuan EX2, e que se tornou num dos maiores fenómenos comerciais do mercado chinês, com mais de 55 mil unidades vendidas todos os meses, já está a caminho da Europa. E Portugal está na rota, uma vez que a Geely é uma das marcas chinesas mais recentes no nosso país.

A Razão Automóvel teve oportunidade de falar com responsáveis da Geely Europa, das áreas de comunicação e desenvolvimento, durante os testes de verão do GCOTY — German Car of the Year, onde a marca chinesa esteve presente com uma unidade de testes do Geely E2 para o mercado europeu.

A mensagem foi clara: o Geely E2 europeu será mais caro, terá especificações próprias e uma afinação pensada para os gostos e exigências do mercado europeu. Explicamos tudo nas próximas linhas.

Não vai custar 9000 euros

Na China, o Geely Xingyuan é vendido por valores que, à taxa de câmbio atual, começam em torno dos 9 mil euros. É esse número que explica parte do seu impacto no mercado: foi o elétrico mais vendido na China em 2025 e este ano vai pelo mesmo caminho, com vários meses onde as entregas superaram as 50 mil unidades.

Mas é também o número que mais facilmente pode induzir em erro quando se fala da chegada à Europa. De acordo com o responsável de comunicação da Geely na Europa, o preço do E2 nos vários mercados europeus deverá ficar seguramente acima dos 21 mil euros.

Ainda não há preços confirmados para Portugal, nem uma data fechada para o lançamento nacional, mas a chegada ao mercado está prevista para 2027. As primeiras unidades para a Europa já partiram da China em navios e chegada deverá acontecer nas próximas semanas.

Duas baterias para a Europa

Também nas baterias haverá diferenças face às versões conhecidas no mercado chinês. Para a Europa, a Geely deverá apostar em duas versões, com capacidades na ordem dos 35 kWh e 47 kWh. As autonomias finais ainda dependem da homologação, mas deverão situar-se acima dos 250 km e dos 310 km, respetivamente, em ciclo WLTP.

São valores alinhados com aquilo que se espera de um utilitário elétrico de acesso: autonomia suficiente para utilização diária e alguma margem para deslocações extra-urbanas. Relativamente à restante plataforma, apelidada de GEA, terá espaço para acomodar até cinco passageiros e duas bagageiras: uma à frente e outra atrás.

A Europa muda o Geely E2

A Razão Automóvel teve oportunidade de experimentar o Geely E2 durante alguns minutos, num percurso com cidade, estradas secundárias e autoestrada.

Foi uma experiência breve e apenas no lugar do passageiro, e por isso mesmo, as sensações deste primeiro contacto ainda não podem ser partilhadas. Essa informação encontra-se sob embargo até à apresentação do modelo, que deverá acontecer no último trimestre deste ano.

O que já podemos contar é o trabalho que está a ser feito pela Geely Europa. Esta unidade foi usada, juntamente com outras, para testar sistemas eletrónicos e de assistência em vários países europeus: traduções, leitura de sinais de trânsito, integração de software e adaptação às diferentes realidades de utilização.

Do ponto de vista do hardware, a Geely está também a finalizar uma afinação específica de suspensão e direção para a Europa.

Mais firme e mais direto

Segundo os responsáveis de desenvolvimento da Geely Europa, o E2 europeu terá amortecedores específicos e uma direção mais direta. A explicação é simples. O mercado chinês privilegia uma afinação mais suave, orientada para o conforto. Na Europa, a Geely entende que precisa de um comportamento mais seguro, previsível e firme, sobretudo em estrada e autoestrada.

Aqui, o E2 parte com um argumento técnico pouco habitual neste segmento: apesar de ser um utilitário elétrico acessível, tem motor traseiro e suspensão traseira multibraços. A maior parte dos rivais diretos recorre a soluções mais simples, como o eixo de torção.

Entre os concorrentes naturais estarão modelos como o BYD Dolphin Surf, Hyundai Inster, MG4 Urban, Citroën ë-C3 e o futuro Renault Twingo elétrico.

O Geely E2 pode até ter nascido como um elétrico barato para a China mas na Europa terá outro preço. Mais caro, mais afinado e mais adaptada ao nosso mercado. Resta saber se continuará suficientemente barato para ganhar o protagonismo que alcançou no seu mercado doméstico.

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