Corte total de linhas no Metro do Porto na próxima semana

20 Abril 2018 - Jornal de Notícias

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Linhas do Aeroporto, Matosinhos e Gondomar em risco na próxima semana.

A empresa Metro do Porto poderá interromper, na próxima semana, a circulação nas linhas do Aeroporto, Gondomar e Matosinhos, devido à redução drástica do número de veículos disponíveis, em consequência de uma greve parcial na Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), que poderá agravar-se até ao final do mês.

A supressão daqueles itinerários - na linha do Aeroporto, já na segunda-feira, e as outras duas, ao longo da semana - é um dos vários cenários sobre a mesa da Administração da Metro do Porto, admitiu, ontem à noite, ao "Jornal de Notícias", a assessoria de imprensa da empresa, reconhecendo que em linhas como a de Fânzeres já estavam a verificar-se tempos de espera superiores a meia hora - o dobro do normal. Os principais afetados serão os percursos mais longos e é até possível que a circulação da rede fique limitada ao tronco Estádio do Dragão/Senhora da Hora, segundo fonte sindical.

Os efeitos da paralisação, de três horas por turno, dos trabalhadores da EMEF, que lutam por uma atualização salarial de pelo menos 25 euros e do subsídio de turno em valores idênticos aos da CP, tinham sido antecipados pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários, pois afeta toda a atividade de manutenção dos veículos da Metro do Porto.

Em causa estão sobretudo os 72 veículos da primeira geração, que ontem estavam já reduzidos a menos de 40 unidades, segundo fontes sindicais e da empresa ouvidas pelo JN. Isso deve-se não só à impossibilidade de reparar as pequenas avarias do quotidiano, mas também ao número elevado de veículos que ainda está pendente das grandes operações de manutenção e revisão obrigatória (após 906 mil quilómetros de circulação), atrasadas pelos quatro anos de restrições orçamentais determinadas pela "troika" e pelo anterior Governo.

O dirigente sindical Paulo Milheiro responsabiliza, no entanto, o Governo atual por não desbloquear a autorização para os aumentos salariais.

O coordenador do Grupo de Trabalho dos Transportes da Área Metropolitana do Porto, Marco Martins, garantiu ao JN ter manifestado a sua preocupação junto do ministro do Ambiente, mas este remeteu-o para o colega das Finanças. O JN não conseguiu uma reação do gabinete de Mário Centeno.

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